CNBB vai elaborar documento sobre momento atual do Brasil e sobre Ministros da Palavra

55ª Assembleia Geral da CNBB - Coletiva de Imprensa do dia 02 de maio

Dando continuidade aos trabalhos da 55ª Assembleia da CNBB, atenderam a imprensa nesta terça-feira, 2, o bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol, o bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda (RJ), Dom Francesco Biasin e o bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães.

Situação atual do Brasil

O bispo auxiliar de Belo Horizonte afirmou que os bispos, como conferência, estão elaborando uma reflexão sobre o momento atual do Brasil para apresentar à população brasileira.

“A Igreja deve se posicionar diante da realidade vivida agora ou não?”, questionou o bispo. “Esta questão nos ajuda entender o papel da Igreja no mundo”

Citando as palavras do Papa Paulo VI, Dom Joaquim Mol afirmou que a Igreja é serva da humanidade. “Portanto tudo aquilo que diz respeito ao bem da humanidade, diz respeito à

Dom Joaquim Mol coletiva de imprensa Foto Ivan Simas-A12

Bispo auxiliar de Belo Horizonte, Dom Joaquim Mol. Foto de: Ivan Simas/A12

Igreja (…) A Igreja deve sim, com o desejo de servir à humanidade, à luz do Evangelho, dizer uma palavra diante do que vive a humanidade”, afirmou.

 

Dom Joaquim Mol ainda falou que a sociedade brasileira vive um momento de perplexidade: “Estamos diante de uma situação de enorme gravidade. A gravidade se dá, não tanto pelo desconhecimento da ética, mas muito mais pelo desprezo da ética”.

Segundo ele, a democracia não é apenas representativa. “Nós temos a obrigação de acompanhar, questionar a ajudar essas pessoas a exercer sua função, inclusive ajudando a tomar as decisões corretas”.

O bispo citou como exemplo a Reforma da Previdência. “A Reforma da Previdência é necessária, mas é desta forma que ela deve ser feita? O eleitor pode colaborar com o agente político a definir o que é melhor”.

“Nós entendemos que o caminho do diálogo até a exaustão é fundamental para que o pais possa se entender e criar condições de desenvolvimento para todos”.

Caminho ecumênico no Brasil

bispo de Barra do Piraí – Volta Redonda (RJ), Dom Francesco Biasin em coletiva da 55ª Assembleia da CNBB - Foto: A12

Dom Francesco Biasin: “Estamos passando do conflito à comunhão”. Foto de: Polyana Gonzaga/A12

Dom Francesco Biasin falou aos jornalistas sobre o ecumenismo e os 500 anos da Reforma Luterana.  “Esse ano tem uma forte densidade ecumênica por conta da comemoração dos 500 anos da Reforma Luterana acontecida em 1517. (…) Se por vários séculos devido a vicissitudes históricas muito complexas entre a Igreja Católica e o mundo da reforma, houve atitudes de distanciamento, de desamor, atualmente graças ao clima do Concílio Vaticano II estamos passando do conflito à comunhão”, afirmou.

O bispo citou os exemplos do Papa Francisco que mostram a preocupação do Santo Padre com o verdadeiro sentido do ecumenismo.

Dom Francesco Biasin recordou que em 31 de outubro de 2016, o Papa Francisco esteve em Lund, na Suécia, exatamente no mesmo dia em que Lutero afixou suas 95 teses na Igreja do Castelo de Wittenberg, na Alemanha, em 1517.

“O Papa junto com lideranças luteranas do mundo inteiro pode comemorar o início da reforma. Tendo mudado o clima entre as Igrejas a partir do Concílio Vaticano II, no ano passado nós celebramos os 50 anos da retomada dos diálogos fraternos entre as várias igrejas”.

Dom Francesco Biasin recordou que para o Papa, o ecumenismo tem no martírio uma grande força entre todas as Igrejas.

“O ecumenismo não é uma realidade estática, se faz caminhando. Os irmãos de outras igrejas são companheiros de caminhada e é assim que conseguimos caminhar rumo a unidade”, completou.

Ministros da Palavra

Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol em coletiva de Imprensa da 55ª Assembleia da CNBB - Foto: A12

Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol. Foto de: Polyana Gonzaga/A12

Sobre o assunto o bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA), Dom Armando Bucciol afirmou que a assembleia tem discutido e será apresentado um documento sobre os Ministros da Palavra.

“É preciso investir mais para que esta Palavra alcance mais os filhos da Igreja. Na realidade da Igreja no Brasil, onde 70% das comunidades não tem um ministro ordenado para presidir a Eucaristia, Cristo se torna presente de uma maneira forte em sua palavra. Quando a Igreja anuncia a Palavra é Cristo que continua anunciando aos homens e mulheres do nosso tempo. Eis a necessidade, que nós como Igreja Católica, invistamos mais na pregação por parte de leigos e leigas”.

“Que pouco a pouco, preparemos mais Ministros da Palavra para que possam fecundar com a Palavra de Deus as nossas comunidades. Não é um sonho, mas uma realidade a ser potencializada”, completou.

 

Fonte: A12.com