Nossa Missão Franciscana

“A missão evangelizadora é a razão de ser da Ordem” (João Paulo II, Mensagem ao Capítulo Geral, Roma, 1991).
“Os irmãos, onde quer que estejam, ou qualquer coisa que façam, dediquem-se ao múnus da evangelização: tanto na comunhão fraterna, por uma vida contemplativa e penitente e pelos vários trabalhos realizados em benefício da fraternidade; quanto na sociedade humana, por atividades intelectuais e materiais, pelo exercício do múnus pastoral em paróquias e em outras instituições eclesiásticas; finalmente, anunciando a chegada do Reino de Deus, pelo testemunho da simples presença franciscana” (CCGG art. 84; Capítulo Geral, 1997; Conselho Plenário, 1983).
Quando Francisco ouviu a passagem do capítulo 10 de Mateus sobre o envio dos apóstolos por Jesus, exclamou com incontido entusiasmo: “É isto que eu quero, é isto que procuro, é isto que desejo de todo o coração” (1Cel 22).
Um frade franciscano não pode ter outra missão, lato sensu, senão a delegada por Cristo aos apóstolos, ou seja, pregar o evangelho, curar os doentes, ressuscitar os mortos, limpar os leprosos e expulsar os demônios (Mt 10,7-8). O que de graça recebeu, de graça deve dar, indo pelo mundo “sem moedas de ouro, de prata, nem de cobre no cinto” (v. 9), munido apenas com uma saudação de paz e a grande alegria de ser simplesmente discípulo de Jesus Salvador.
Stricto sensu, no entanto, a missão dos franciscanos tem um endereço certo e uma inequívoca opção: a vida e a casa dos pobres. Estes são, como desde o início foram, os novos e privilegiados areópagos da missão franciscana. Não somos frades para os palácios imperiais ou para os paços episcopais. Pode um frade até viver neles, mas com alma de frade menor, sempre na alegria do seguimento de Cristo, despojado e crucificado, que o envia para a reconstrução de sua Igreja.
Dois cuidados são fundamentais no exercício da missão franciscana.
Em primeiro lugar, não podemos evangelizar sem antes sermos evangelizados. Em outras palavras, nossa primeira missão é a de converter-nos, dispondo-nos, como indivíduos e como fraternidade, a seguir os caminhos do Senhor, abraçando os valores do Evangelho. Desprendidos de nós mesmos e em constante disponibilidade, “queremos fazer a experiência constante do êxodo, como membros de um povo sempre a caminho da libertação, em permanente processo de conversão pessoal e social” (LegPer 61).
Em segundo lugar, “a nossa forma original de evangelizar está no testemunho da fraternidade”. Eis, de forma límpida, esta verdade nas palavras de Frei Hermann Schalück (1996): “Por inspiração evangélica, formamos uma fraternidade evangelizadora (n. 73). “A nossa forma original de evangelizar está neste testemunho da fraternidade” (n. 86). Mais do que como frades individuais, evangelizamos, decididamente, como fraternidade. Tal testemunho evangélico compromete a fraternidade como um todo, sem distinção entre clérigos ou leigos, e coloca no centro de nossas preocupações não os métodos, nem as instituições, nem as estruturas pastorais, mas a qualidade evangélica de nossa vida.
Como fraternidades evangelizadoras, nossa missão será a do testemunho alegre, em espírito e verdade, amando os não amados, abraçando os leprosos, curando as feridas do corpo e do espírito dos irmãos, expulsando os demônios da indignidade humana e anunciando um ano da graça do Senhor. Esta é a nossa missão e este é o nosso modo de evangelizar, segundo afirma Celano:
Semear, por toda a parte, as sementes da Palavra de Jesus, com aquele espírito decidido, devoto e fervoroso de Francisco, que enchia toda a terra com o Evangelho de Cristo, anunciando a todos o Reino de Deus e edificando os ouvintes tanto pela palavra como pelo exemplo, pois pregava com sua pessoa (1Cel 97).
Evangelizar é, pois, parte constitutiva de nossa vida. A evangelização é o anúncio do Reino de Deus, elemento central e coração da boa-nova cristã e franciscana. Este é o nosso trabalho. Como frades da Província Franciscana de Nossa Senhora da Assunção, deveria ser esta, a exemplo de Francisco, a nossa mais entusiástica confissão: é isto que queremos, que procuramos, este é e será o maior desejo de nossa vida.

Enviado por: Província Franciscana MA / PI